Como corrigir as orelhas em abano?

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Por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Orelhas em abano são tão incômodas que, hoje em dia, muitos pais optam por corrigi-las antes mesmo dos filhos iniciarem a fase escolar. Antigamente, no entanto, a cirurgia para a sua correção não era tão comum. Isso fez com que muita gente crescesse ouvindo piadinhas e recorrendo, sempre que possível, a “disfarces”.

A boa notícia é que se trata de um problema fácil de corrigir. Neste artigo, o otorrinolaringologista Dr. Fábio Zanini, membro da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face, explica como a otoplastia é capaz de alterar o formato, o tamanho e a posição de diferentes tipos de orelhas. Confira!

A partir de qual idade a otoplastia pode ser realizada?

Entidades médicas recomendam que a otoplastia seja feita, somente, a partir dos 5 anos de idade. Nessa época, a cartilagem auricular já está estável o suficiente para permitir a correção.

Além disso, o pequeno paciente já consegue se expressar, cooperar e entender a importância de seguir as orientações do médico. Antes dessa idade, porém, a superprojeção das orelhas só pode ser reparada em recém-nascidos — mas nesse caso, não é preciso fazer cirurgia.

O método não-invasivo utiliza uma prótese de silicone (aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para remodelar a cartilagem. Porém, esse molde precisa ser colocado pelo otorrinolaringologista pediatra ainda primeiro mês de vida.

Qual é o impacto das orelhas em abano na autoestima?

Além do possível bullying sofrido na infância e adolescência, as orelhas em abano impõem uma série de limitações na vida adulta. Tratam-se de pequenas coisas que, somadas, impactam na autoestima dos pacientes.

Os homens, por exemplo, se tornam usuários constantes de bonés, o que infantiliza sua aparência. Já quando estão no trabalho ou em ambientes mais formais, dificilmente têm como disfarçá-las.

“As mulheres, por sua vez, vivem de cabelos soltos — o que é um problema em ocasiões nas quais desejam usar penteados presos, como festas de casamento”, exemplifica o médico. Isso sem falar nos dias de calor, nos treinos na academia, entre outras situações que pedem um bom coque ou rabo de cavalo.

Em quais casos a otoplastia pode ajudar?

A otoplastia é uma cirurgia plástica estética indicada para resolver uma série de problemas nas orelhas. Entre os procedimentos, destaca-se o tratamento cirúrgico das orelhas de abano.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, orelhas salientes são uma característica presente em 2 a 5% da população mundial. Com a otoplastia pode-se criar um novo formato, proporcional à face de cada paciente.

Assim, a cirurgia de orelha é indicada quando elas são:

  • muito grandes (por conta de uma deformidade congênita rara, denominada como macrotia);
  • salientes (não associadas a prejuízos na audição), seja em um ou em ambos os lados, quase sempre em diferentes graus;
  • inestéticas, apesar de já terem sido operadas na infância, mas cujo resultado foi insatisfatório.

Em quais situações pode ser preciso refazer a cirurgia?

Infelizmente, o resultado de uma cirurgia plástica nem sempre corresponde às expectativas, tanto por parte do médico como dos pacientes. Passado o período considerado necessário para se chegar ao resultado definitivo (cerca de 1 ano após o procedimento), algumas pessoas precisam refazer a cirurgia.

A otoplastia secundária é necessária quando a primeira intervenção não conseguiu alcançar o efeito previsto/desejado. Diversas situações podem levar ao problema:

  • imperícia médica, principalmente, quando a cirurgia não é feita por um especialista;
  • falta de cuidados da parte do paciente no pós-operatório, seja por não ter recebido as orientações adequadas ou por tê-las ignorado;
  • acidentes ocorridos no dia a dia, aos quais todos estão sujeitos, ou decorrentes de determinadas práticas esportivas, como o jiu-jitsu — o qual só pode ser praticado após 3 meses da cirurgia.

A otoplastia pode ser feita em apenas uma orelha?

Há pessoas que se queixam de desvios na aparência de uma única orelha e, portanto, gostariam de fazer a cirurgia apenas nela. Nesses casos, em tese, a otoplastia pode ser feita unilateralmente.

Porém, depende de como o otorrinolaringologista analisar a questão. Na maioria das vezes, os cirurgiões recomendam operar as duas (a orelha de abano e a não tão saliente), para uma melhor simetria.

O que é preciso saber antes de marcar a cirurgia?

Segundo Dr. Zanini, qualquer cirurgia estética somente deve ser realizada quando o paciente deseja satisfazer a si mesmo. Ou seja, nunca para se enquadrar em ideais de beleza pré-estabelecidos.

Também é muito importante ser sincero com seu médico. Um bom especialista investiga o histórico dos candidatos à cirurgia afundo, por meio da anamnese. Entre as questões tratadas no consultório, destacam-se:

  • o estilo de vida, principalmente se se alimenta de maneira saudável;
  • se possui alguma doença crônica ou tem alergias;
  • se faz uso de medicamentos de rotina, bem como se fuma, bebe ou usa drogas;
  • o motivo pelo qual deseja fazer a cirurgia e, principalmente, suas expectativas quanto ao resultado.

É possível fazer a otoplastia pelo plano de saúde?

Cirurgias puramente estéticas, como é o caso da otoplastia para correção de orelhas em abano, não costumam ser cobertas pelo plano de saúde. Mas como depende do tipo de cobertura contratada, o mais indicado é que cada um cheque com a respectiva seguradora.

O que ocorre, muitas vezes, é a associação de otoplastia a algum tipo de cirurgia funcional, como uma rinoplastia pós-traumática. Nessa circunstância, a probabilidade de o convênio assumir parte dos gastos (relativo ao procedimento funcional) aumenta.

Já o restante do valor precisa ser quitado de forma particular. Nessa hora, médico e paciente devem negociar a melhor forma de pagamento.

Quais cuidados devem ser tomados pelo paciente?

Quando existe a certeza de que a correção cirúrgica é a melhor opção para o problema, é preciso se informar sobre os cuidados nos períodos pré e pós-operatórios. Também é necessário conhecer os riscos envolvidos no procedimento.

Cuidados pré-operatórios

Antes de fazer a cirurgia, deve-se realizar uma série de exames laboratoriais, bem como avaliações médicas. Também pode ser necessário ajustar a medicação habitual, caso faça uso, bem como não tomar aspirina, para não aumentar sangramentos. Além disso, recomenda-se interromper o tabagismo e o alcoolismo com antecedência.

Cuidados ao receber a alta

Após o procedimento, é preciso seguir as orientações do cirurgião acerca dos medicamentos que ajudam na cicatrização e minimizam o risco de infecção. Durante a recuperação da otoplastia, também é preciso trocar os curativos e usar faixa para dormir.

Outro ponto importante é não colocar brincos, piercings ou quaisquer acessórios nas orelhas por, pelo menos, 1 mês. Nesse período, óculos de sol também devem ser evitados.

Já as atividades físicas podem ser retomadas, em média, após 2 meses. Porém, é preciso conversar com o médico para checar se a modalidade praticada não traz riscos para o paciente.

Possíveis riscos associados

Qualquer procedimento cirúrgico oferece riscos, por menores que sejam. “Mas ainda que não seja possível eliminá-los completamente, é possível minimizá-los preparando, convenientemente, cada paciente”, afirma o especialista.

No caso da otoplastia, entre as sequelas mais comuns, pode haver:

  • hematomas;
  • edemas (inchaços);
  • alteração na sensibilidade da pele;
  • pequenas cicatrizes (atrás das orelhas);
  • descoloração da pele;
  • dor que perdura além do pós-operatório imediato; entre outras.

Para evitar surpresas, faça quantas perguntas desejar e não se sinta mal pela ansiedade em relação ao procedimento. A correção das orelhas de abano é relativamente simples, mas exige cuidados. Por isso, procure um cirurgião especialista em otoplastia. Afinal, ninguém quer ficar à mercê de erros em uma região tão exposta como as orelhas!

Quer saber mais? Entre em contato com o Dr. Zanini e entenda como a cirurgia plástica nas orelhas poderá beneficiá-lo!

Material escrito por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1999, fez sua especialização em Otorrinolaringologia pelo Hospital da Lagoa no Rio de Janeiro/RJ e Mestrado pela Santa de Misericórdia de São Paulo.

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