Contra-indicações para a otoplastia

Publicado em

Por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

A cirurgia para corrigir as orelhas em abano — problema mais comum entre os defeitos congênitos dessa região — é um procedimento, relativamente, simples. No entanto, existem algumas contraindicações para a otoplastia. Quando presentes, as diretrizes da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face (ABCPF) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) são pela adoção de medidas preventivas ou, até mesmo, pela não realização da operação.

Neste artigo, mostramos quais fatores merecem um cuidado especial. Continue a leitura e saiba se há maneiras de contornar essa situação.

Quais são as principais contraindicações para a otoplastia?

Quem deseja fazer uma cirurgia plástica nas orelhas, geralmente, apresenta desvios estéticos bastante perceptíveis. Pode ser que elas:

  • sejam desproporcionalmente grandes, quando comparadas ao restante do rosto;

  • estejam muito afastadas da cabeça, com formato evidente em abano;

  • tenham excesso de pele nos lóbulos, deixando-as compridas e envelhecidas;

  • contenham caroços, como cistos sebáceos ou lipomas (nódulos benignos).

Confirmando a existência de um desses aspectos, o médico solicita alguns exames. O objetivo é certificar que o candidato está mesmo apto a se submeter ao procedimento.

Se os exames (clínicos e laboratoriais) estiverem normais, a principal contraindicação à otoplastia é o risco de formação de queloides. Isso varia segundo diversos critérios:

  • o tom de pele, sendo mais comuns em peles escuras;

  • a exposição à luz solar, principalmente, em pessoas oriundas de países de clima frio ou temperado que residem em países tropicais;

  • o local da incisão, sendo mais recorrente em áreas diretamente expostas ao sol.

Um outro fator, bem menos recorrente, é a presença da policondrite recidivante.  Trata-se de uma doença autoimune que pode acometer as cartilagens de uma ou ambas orelhas.

Os principais sinais são vistos nos ouvidos externos avermelhados, doloridos e inchados. Com o passar do tempo, pode levar à flacidez das orelhas, por conta da fraqueza articular. Problemas de audição e equilíbrio também podem ocorrer.

Existem maneiras de evitar o risco de ter queloides?

Quando a contraindicação para a otoplastia for o risco de desenvolver queloides, existem algumas maneiras de tentar contornar o problema. Em pacientes com tendência à formação de cicatrizes hipertróficas, mas que, realmente, tenham motivos para desejar corrigir a forma das orelhas, pode-se realizar a chamada otoplastia sem incisão.

Nesse tipo de procedimento, a incisão é feita de modo que a cicatriz fique escondida no sulco retroauricular, evitando a aparência de orelha operada. Ao mesmo tempo, administram-se medicações para prevenir o crescimento anormal das cicatrizes.

Além disso, existem alguns recursos para melhorar as cicatrizes hipertróficas. No entanto, eles só devem ser considerados após o aparecimento do resultado definitivo, por volta do 12º mês.

Por que é preciso ter comprometimento com o pós-operatório?

Candidatos à otoplastia precisam ter consciência dos riscos de não seguir as recomendações em relação ao pós-operatório. Por isso, bons médicos fazem perguntas relacionadas aos tipos de trabalho e hábitos dos pacientes, com o intuito de apontar o que terão de alterar em sua rotina caso optem pela cirurgia.

Respeitar os cuidados com a área operada é muito importante. Do contrário, há chances de o resultado do procedimento não ser satisfatório — inclusive, implicando na necessidade de uma cirurgia secundária.

Como é o pós-operatório da otoplastia?

No dia seguinte ao procedimento, deve-se utilizar um curativo para proteger as orelhas. Sentir algum desconforto após a cirurgia, como dor ou coceira sob as ataduras, é considerado normal. Ainda assim, é preciso que o curativo permaneça intacto, pois removê-lo pode prejudicar o resultado.

Após a retirada do curativo, é necessário manter o uso de uma faixa (estilo bailarina) por um mês. Ainda que o tempo de recuperação da cirurgia seja de 10 a 15 dias, esse cuidado prolongado é importante para prevenir acidentes na região.

Quais são os riscos de desrespeitar os cuidados?

Seguir as orientações referentes aos cuidados e ao uso das medicações é essencial para ajudar a cicatrização. Além disso, colabora para reduzir o risco de infecções. Por outro lado, se sujeitas à escoriação ou forçadas durante o período pós-operatório imediato, as incisões cirúrgicas podem ser gravemente lesadas.

Agora que você conhece as contraindicações para a otoplastia, procure um especialista que faça questão de considerá-las antes de realizar o procedimento. Dessa maneira, ele poderá indicar a melhor forma de tratamento para o seu caso, minimizando as chances de ficar com queloides e maximizando as de obter um resultado plenamente satisfatório!

Quer saber mais sobre a otoplastia? Entre em contato e converse a respeito com o Dr. Zanini. Se você mora em Florianópolis, agende uma consulta!

Material escrito por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1999, fez sua especialização em Otorrinolaringologia pelo Hospital da Lagoa no Rio de Janeiro/RJ e Mestrado pela Santa de Misericórdia de São Paulo.

Assine nossa newsletter!