Cuidados com a criança depois da otoplastia

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Por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

otoplastia em crianças costuma ser feita nos primeiros anos escolares, por volta dos 5 aos 7 anos de idade. A maioria dos pais, ao procurar ajuda médica, deseja evitar que seus filhos sofram bullying, por conta das orelhas em abano. Mas apesar de o procedimento ser simples e seguro, o pós-operatório exige alguns cuidados — e uma boa dose de atenção, carinho e paciência por parte dos responsáveis.

Quer saber tudo sobre a otoplastia infantil e sua recuperação? Então, continue a leitura!

Em quais casos a otoplastia em crianças é indicada?

Para justificar a otoplastia, o problema não pode se limitar a um leve desvio. É preciso que as orelhas se projetem, realmente, em abdução — em torno de 90ºde distância do couro cabeludo.

Para averiguar a necessidade, o pequeno paciente deve ser avaliado por um otorrinolaringologista. Se indicada, a cirurgia permite alterar o tamanho, o formato e até o posicionamento das orelhas na cabeça.

Já em adultos, além da correção das orelhas proeminentes, a otoplastia é indicada para outros procedimentos. Entre eles, destacam-se a restauração de lóbulos, a remoção de queloides e a retirada de nódulos.

Como é feita a anestesia na otoplastia infantil?

Diferentemente de adultos, nos quais é feita a anestesia local (com ou sem sedação), na otoplastia em crianças é comum o uso de anestesia geral. Essa anestesia é indicada para garantir mais tranquilidade à criança e qualidade ao procedimento. Por isso mesmo, nos pequenos pacientes o período de internação é maior. Em vez de receberem alta no mesmo dia, eles costumam passar uma noite no hospital e ter alta no dia seguinte à cirurgia.

Quais são as fases do pós-operatório em crianças?

A evolução cicatricial dita as fases do pós-operatório da otoplastia. Ainda que os períodos possam variar, de acordo com as características de cada paciente (como a espessura da pele), em geral, a maturação das cicatrizes se dá da seguinte maneira:

  • período imediato, até o 30º dia após a cirurgia, com os pontos sendo retirados na segunda semana, entre o 10º e o 14º dia;
  • período mediato, do 30º dia ao 8º mês (podendo se estender até o 12º mês), sendo que a partir do 3º mês é possível ver o resultado definitivo;
  • período tardio, após o 12º mês (com possibilidade de mudanças no aspecto cicatricial até o 18º mês).

Quais são os principais cuidados após a otoplastia?

O pós-operatório da otoplastia em crianças exige cuidados simples. O principal é proteger as orelhas com o curativo envoltório (parecido com uma touca) nos primeiros dias.

Depois, é preciso usar a faixa protetora por 1 mês. Além de ajudar a evitar traumas, o acessório é necessário para proteger as orelhas da luz solar e da iluminação florescente.

Se a criança reclamar de dor na área operada, o médico deverá ser comunicado. Geralmente, um analgésico é suficiente para aliviar o incômodo.

Se a queixa for por conta de prurido (coceira ou ardor), ajude-a a se controlar. É muito importante que o curativo permaneça intacto, para não prejudicar o resultado da cirurgia.

Como os pais e responsáveis podem contribuir com esse momento?

Os cuidados começam antes da cirurgia. Durante os dias que a antecedem, os responsáveis têm que transmitir segurança e tranquilidade, evitando deixá-lo com medo. Esse sentimento é prejudicial, pois interfere na qualidade do sono, altera o apetite, compromete o foco nos estudos, entre outros problemas.

Os pais precisam conversar a respeito do procedimento, pois a criança não deve ser pega de surpresa. Ela tem que saber que irá ao hospital para resolver um problema bastante comum, presente de 2 a 5% da população mundial.

Mas a conversa precisa ser franca e carinhosa. Os responsáveis devem abordar o tema de acordo com a capacidade de entendimento do paciente e contar como será todo o processo. Isso irá a ajudá-lo, inclusive, a criar consciência sobre a importância dos autocuidados durante a recuperação.

Depois da cirurgia, é importante lembrar a criança do quanto a mudança na aparência era desejada e de que, em pouco tempo, sua rotina voltará ao normal. Mas que, para isso, é preciso tomar alguns cuidados.

Fale sobre a importância de manter o curativo no dia seguinte à cirurgia, apesar do desconforto. Diga que não é bom levantá-lo, nem que seja para espiar um pouquinho.

Avise-a de que, após a remoção do curativo, a área operada pode estar inchada e com manchas arroxeadas. Explique que, aos poucos, esses inconvenientes irão diminuir e suas orelhas ficarão lindas.

E caso a criança relate perda de sensibilidade na região próxima à incisão, acalme-a. Faça-a perceber que isso é um inconveniente mínimo, comparado a ter que conviver com as antigas orelhas salientes.

Essas medidas, por mais simples que pareçam, são indispensáveis. A otoplastia é o único tratamento para corrigir as orelhas em abano, permitindo que a criança tenha uma infância normal. Afinal, ainda que a proeminência não prejudique a audição, estudos comprovam sua ligação com traumas emocionais e até problemas comportamentais.

Esperamos que o artigo tenha ajudado. Caso queira esclarecer alguma dúvida sobre a otoplastia, entre em contato com o Dr. Zanini!

Material escrito por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1999, fez sua especialização em Otorrinolaringologia pelo Hospital da Lagoa no Rio de Janeiro/RJ e Mestrado pela Santa de Misericórdia de São Paulo.

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