Exames auditivos infantis: conheça os principais

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Por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Você chama, mas seu filho não responde. A dificuldade com a fala também é notável. Nesses tipos de situações, muitos pais se perguntam se o comportamento seria apenas descaso ou se existe um déficit de audição real. Para investigar essa hipótese, bem como determinar o tipo e o grau de deficiência, os otorrinolaringologistas indicam a realização de alguns exames auditivos infantis. A partir dos resultados, pode-se tomar as providências necessárias, sejam elas com intuito preventivo ou para tratar problemas já instalados.

Neste artigo, mostramos os principais testes auditivos realizados na infância. Continue a leitura e entenda quando é importante realizá-los!

O que é audiometria infantil?

audiometria infantil é um método de avaliação do limiar auditivo em crianças, a qual pode ser feita em uma ou mais sessões. A escolha das técnicas empregadas depende:

  • da idade do paciente;
  • dos sintomas apresentados, tais como baixa resposta aos estímulos sonoros, atraso na aquisição da linguagem, rendimento escolar fraco, entre outros;
  • da existência de fatores de risco para a deficiência auditiva, como antecedente familiar, infecção intrauterina ou perinatal (toxoplasmose, citomegalovirose, herpes, sífilis e rubéola), malformação envolvendo a cabeça e o pescoço, baixo peso ao nascer (menos de 1,5 kg), meningite bacteriana; entre outros;
  • de eventos possivelmente associados à deficiência auditiva, como lesões por objetos estranhos e ocorrência de traumatismos cranianos;
  • de comportamentos que prejudicam a audição, como o hábito de usar fones de ouvido com volume muito alto, por longos períodos.

Definidas as técnicas, a audiometria pode ser:

  • convencional, para a análise comportamental a estímulos sonoros — considerada padrão-ouro para estimar os limites da audição;
  • de reforço visual, indicada para crianças entre seis meses e três anos de idade;
  • lúdica ou condicionada, a qual exige um treinamento prévio.

Quais doenças podem ser prevenidas ou diagnosticadas?

Estima-se que 1,5 em cada 1000 crianças tenham problemas de audição. Em algumas delas, os distúrbios podem ter origem hereditária (principalmente, a surdez), já em outras, podem ser adquiridos do pré-natal à infância.

prevenção da surdez evitável, assim como o diagnóstico precoce da deficiência auditiva, são medidas muito importantes. Evidências mostram que a triagem auditiva nessa fase e o monitoramento de populações com alto risco para deficiências auditivas são indispensáveis para o sucesso social, acadêmico e, posteriormente, econômico.

Entre as doenças que podem ser detectadas pela audiometria, destaca-se a otite média — um tipo de infecção de ouvido muito comum em crianças pequenas. Reconhecer, acompanhar e, se preciso, tratar, precocemente, o problema (geralmente, desencadeado por infecções do trato respiratório), é essencial para prevenir a perda auditiva. Sabe-se que otites não tratadas adequadamente podem levar à prejuízos significativos e permanentes à audição.

Quais são os principais exames auditivos infantis?

A avaliação da saúde auditiva começa com os recém-nascidos, com o famoso teste da orelhinha. O exame exige a introdução de uma pequena sonda na orelha do bebê. Obrigatório, ele é considerado seguro e indolor.

Ao longo da infância, se necessário, outras avaliações audiológicas podem ser solicitadas. São elas:

  • triagem de tons puros, um tipo de varredura audiométrica indicada para crianças a partir de três anos, realizada com um aparelho portátil (audiômetro), em ambiente acusticamente preparado;
  • timpanometria, usada em conjunto com a triagem de tons puros, para avaliar, especificamente, a função dos ouvidos médios;
  • teste de emissão otoacústica (EOA), que fornece informações sobre a audição periférica de crianças em idade pré-escolar e escolar;
  • exames de imagem, como a ressonância magnética e a tomografia computadorizada, úteis em certos casos.

Como é o prognóstico para a perda auditiva na infância?

Se possível, a causa da perda auditiva na infância é tratada e a audição recuperada. É o caso de algumas infecções de ouvido, que podem ser curadas com medicamentos ou cirurgias. Porém, muitas vezes, o uso de aparelhos auditivos ou implantes cocleares pode ser necessário.

As novas diretrizes de triagem auditiva recomendam que, mesmo crianças sem sinais de problemas de audição, devem realizar o acompanhamento periódico com um otorrinolaringologista. Os exames auditivos infantis são indispensáveis tanto para prevenir como para diagnosticar a perda de audição e orientar o respectivo tratamento. E quanto mais cedo isso for feito, maiores as chances de o processo ser bem sucedido!

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Material escrito por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1999, fez sua especialização em Otorrinolaringologia pelo Hospital da Lagoa no Rio de Janeiro/RJ e Mestrado pela Santa de Misericórdia de São Paulo.

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