Nariz entupido pode ser desvio de septo?

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Por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Em períodos de frio intenso, como no inverno catarinense, é relativamente comum apresentar congestão nasal e coriza. Porém, se os sintomas forem crônicos, ocorrendo sem causas aparentes, deve-se fazer uma investigação. Em alguns casos, o nariz entupido pode ser culpa do desvio de septo.

Neste artigo, mostro quando o desvio septal pode provocar congestão nasal e quando a indicação de tratamento é cirúrgica. Se você, como tantas pessoas, vive com o nariz entupido, aproveite a leitura!

Quedas bruscas de temperatura podem provocar obstrução nasal?

Na verdade, a culpa da obstrução nasal não é do frio — pelo menos, não diretamente. Ocorre que, ao vestir uma blusa que estava guardada há tempos, pode-se desencadear um quadro de rinite alérgica.

Na maioria das vezes, são os alérgenos, como ácaros, mofos e poeira doméstica (restos de pele, pelos, farelos, fibras de tecidos, etc), que provocam a inflamação das mucosas nasais. Essa, ao lado das infecções virais (gripes e resfriados), é a principal causa da obstrução.

Se a sensação de nariz entupido, acompanhada de coriza aquosa, persistir por mais de dez dias, repetidas vezes ao longo do ano, procure um otorrinolaringologista. Se não tratada, a obstrução nasal obriga o paciente a respirar pela boca e pode desencadear uma série de complicações, tais como:

  • desalinhamento da arcada dentária;

  • sono agitado (não reparador), apneia e ronco;

  • sinusite, amigdalite, faringite e/ou otite;

  • aumento das adenoides (carne esponjosa);

  • alterações no paladar, olfato, audição e até visão;

  • baixa imunidade;

  • dores de cabeça e outros distúrbios.

Em caso de rinite alérgica comprovada, a primeira medida é a prevenção, por meio da retirada dos alérgenos. Se necessário, pode-se administrar medicamentos para reduzir a inflamação e controlar os sintomas.  Em casos mais graves, recomenda-se a imunoterapia (tratamento com vacina).

Quando o nariz entupido pode ser desvio de septo?

Mas e quando a congestão não tem relação com infecções ou alergias respiratórias? Nesses casos, uma das possíveis causas do nariz entupido pode ser o desvio de septo.

O septo é uma estrutura que separa as fossas nasais. Ele é formado por osso (na parte superior) e cartilagem (na parte posterior), sendo revestido por mucosa.

Na maior parte dos casos, o desvio de septo surge em decorrência de microtraumas na região do nariz — lesões, geralmente, ocorridas na infância e que passam despercebidas.

Confirmado o diagnóstico, analisa-se o tipo de desvio de septo (simples, crista, esporão e misto) e o grau (leve, moderado ou grave). Indica-se o tratamento cirúrgico para casos graves, como quando o septo toca a parede nasal e não se afasta nem com o uso de um vasoconstritor.

Além disso, a cirurgia é recomendada quando o desvio é a causa de:

  • entupimentos nasais contínuos e respiração predominantemente bucal;

  • infecções de rotina nos seios paranasais (sinusites);

  • alterações no fluxo nasal e cefaleia rinogênica (dor sobre o dorso nasal) e

  • prejuízos à respiração, ressecamento das mucosas e sangramentos nasais frequentes.

Como é o tratamento para o desvio de septo?

Se o objetivo for apenas recuperar as funções respiratórias, realiza-se uma septoplastia. Já se o paciente desejar corrigir, também, alguma imperfeição estética, opta-se pela rinosseptoplastia.

Para centralizar o septo, o cirurgião faz uma incisão dentro do nariz e descola a mucosa que recobre a estrutura. Em seguida, remove as áreas desviadas e recoloca a mucosa sobre o septo na posição certa.

Em relação à técnica adotada, a escolha varia de acordo com o quadro de cada paciente. Por exemplo:

  • quando o desvio se limita à parte posterior, opta-se pela técnica de Killian, promovendo apenas a ressecção da cartilagem;

  • quando o desvio é apenas anterior, opta-se pela técnica de Metzembaum, promovendo a ressecção óssea;

  • quando o desvio atinge todo o septo, opta-se pela técnica de Cottle-Guillen, que permite sua abordagem completa.

Existe, ainda, a técnica endoscópica. Nesse caso, o intuito é aumentar a visibilidade da estrutura septal de forma menos invasiva possível. Trata-se de um tipo de vídeo-cirurgia que permite levantar a mucosa o mínimo possível, pois a incisão é feita imediatamente antes do desvio.

Qual é a melhor época para tratar o desvio de septo em Florianópolis?

A cidade de Florianópolis, SC, costuma ser muito quente no verão e ter uma pujante vida ao ar livre — o que pode complicar os cuidados pós-operatórios da cirurgia no nariz. Por isso, em Floripa, a melhor época para fazer uma septoplastia (ou rinosseptoplastia) são os períodos de temperatura mais amenas, entre o outono e a primavera.

Mas atenção: o frio rigoroso não é um impeditivo. Quem opta por fazer a cirurgia no inverno deve evitar, apenas, o uso de aquecedores, pois eles ressecam a mucosa nasal e aumentam o risco de sangramento.

Para concluir, agora que você sabe quando o nariz entupido pode ser desvio de septo, caso apresente o sintoma com frequência, procure um otorrinolaringologista especialista em cirurgias faciais. Faça isso seja qual for a estação. Ele poderá confirmar o diagnóstico e, se houver indicação, encaminhá-lo para o tratamento cirúrgico. A você, caberá decidir se deseja recuperar apenas as funções nasais ou aproveitar para aprimorar, também, a parte estética.

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Material escrito por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1999, fez sua especialização em Otorrinolaringologia pelo Hospital da Lagoa no Rio de Janeiro/RJ e Mestrado pela Santa de Misericórdia de São Paulo.

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