Otoplastia – Tudo o que você precisa saber sobre o procedimento

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Por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Quem tem vontade de corrigir a aparência das orelhas, merece saber tudo sobre a otoplastia. Como qualquer cirurgia plástica, ela tem detalhes que merecem ser observados com atenção. Afinal, esse tipo de intervenção mexe tanto com a parte física como psicológica dos pacientes. Com um impacto dessa magnitude, nada pode passar despercebido.

Por isso, reuni nesse conteúdo absolutamente todas as informações importantes sobre a cirurgia plástica das orelhas. Continue a leitura e tire todas as suas dúvidas!

O que é a otoplastia?

Otoplastia (ou cirurgia dos pavilhões auriculares) é uma cirurgia plástica relativamente simples, realizada para melhorar a aparência orelhas. Ela pode ser feita a partir da infância — em média, na fase pré-escolar (por volta dos sete anos de idade).

Mas para que exista uma indicação tão precoce, deve haver uma motivação que, realmente, justifique a intervenção. É o caso de crianças com orelhas em abano muito protuberantes (afastadas em cerca de 90º do crânio).

Independentemente da faixa etária, a otoplastia traz um impacto muito positivo na autoestima dos pacientes. Em pouco tempo, o reflexo do procedimento na qualidade de vida já pode ser sentido.

Quais são os tipos de otoplastia?

A otoplastia pode ser primária ou secundária. Na otoplastia primária, significa que a orelha está passando pela primeira intervenção cirúrgica.

Já na otoplastia secundária, trata-se de uma nova cirurgia, realizada para aprimorar um procedimento anterior. Ela pode ser necessária, por exemplo, para:

  1. reparar o resultado inestético de uma cirurgia de correção de abano feita na infância;
  2. corrigir deformações ocorridas em acidentes (de trânsito, em práticas esportivas etc.);
  3. amenizar queloides formados pela tendência genética e/ou pela falta de cuidado no pós-operatório da otoplastia primária.

Para quem o procedimento é indicado?

Existem, basicamente, cinco indicações para a otoplastia, cujas técnicas empregadas variam conforme o tipo de orelha e o quadro clínico de cada paciente. Conheça-as melhor a seguir.

1. Correção das orelhas em abano

A principal indicação para a otoplastia é corrigir as orelhas em abano. O objetivo do procedimento é reposicionar as orelhas exageradamente proeminentes, reajustando-as à cabeça.

Ao mesmo tempo, o cirurgião precisa refazer as ondulações naturais da orelha. Para isso, são dados alguns pontos na parte de trás da cartilagem, os quais ficarão bem escondidos.

Na infância, a abordagem cirúrgica visa evitar situações constrangedoras. O intuito dos pais é prevenir traumas decorrentes de bullying, por conta da aparência proeminente das orelhas. Mas para ser bem sucedida, tanto os responsáveis quanto a própria criança precisam entender os motivos para desejar fazer a cirurgia.

Do contrário, o processo, em si, pode se tornar traumático. Sem contar que, quando a criança nao entende bem os objetivos do procedimento, pode se recusar a seguir as orientações pós-operatórias, colocando sua saúde em risco.

2. Correção da macrotia

Outra possível indicação para a otoplastia é reduzir o tamanho de orelhas desproporcionalmente grandes (quando comparadas ao tamanho do rosto). O problema ocorre devido à macrotia, uma deformidade congênita considerada rara.

Graças à otoplastia, pode-se corrigir tanto o comprimento quanto a largura das orelhas, mantendo as proporções adequadas. As cicatrizes, por sua vez, ficam escondidas, em locais pouco aparentes.

3. Redução dos lóbulos

A otoplastia também pode ser indicada para corrigir um desvio estético bastante perceptível. Trata-se do aumento do comprimento das orelhas, por conta do excesso de pele nos lóbulos. Após a cirurgia, pode-se notar a melhora na aparência envelhecida das orelhas, dando a impressão de uma face mais jovial.

4. Remoção de caroços

A otoplastia ainda é indicada para remover nódulos benignos, mas que mostram como caroços antiestéticos. Ao serem retirados, esses caroços originados por cistos sebáceos e lipomas geram pequenas cicatrizes.

5. Extração de queloides

Por fim, a otoplastia é indicada para fazer a ressecção de queloides retroauriculares, os quais são formados após a má cicatrização de algum procedimento prévio. Os queloides são um tipo de tumor benigno fibroso, que ocorrem por conta de uma reação anormal da cicatrização.

Como é o pré-operatório da otoplastia?

Quem deseja saber tudo sobre a otoplastia, precisa começar se atentando aos cuidados pré-operatórios. Antes da cirurgia, o médico solicita alguns exames laboratoriais e de imagem, assim como uma avaliação do cardiologista.

Eles devem ser apresentados na consulta que antecede o procedimento, para avaliação pelo médico. Além disso, também devem ser levados no hospital no dia do procedimento, para consulta da equipe cirúrgica.

No pré-operatório, também é muito importante seguir as orientações quanto à suspensão de algum medicamento de uso habitual, mesmo que sejam naturais. Isso porque algumas fórmulas podem interferir no sangramento.

No dia que antecede a cirurgia, é preciso fazer jejum conforme solicitado pelo médico. Já no dia do procedimento, caso o paciente apresente algum sintoma de gripe ou outro problema, é preciso comunicar ao médico responsável. Dessa maneira, o especialista avaliará se é possível seguir com a cirurgia ou se é mais indicado adiá-la.

Como é a cirurgia plástica das orelhas?

A otoplastia deve ser feita em centros cirúrgicos. A escolha se dá entre os locais credenciados pelo médico. É importante ressaltar que bons profissionais somente operam em hospitais de referência, com estrutura completa e corpo clínico qualificado.

O procedimento é realizado com anestesia geral ou local com sedação. Em crianças, geralmente utiliza-se a primeira opção. Já em adultos, é mais comum usar a anestesia local.

A cirurgia dura entre uma e duas horas. O regime de internação costuma ser ambulatorial, sendo que a permanência do paciente não excede 24 horas.

Salvo a ocorrência de eventualidades, é comum ter alta no mesmo dia ou, no máximo, na manhã seguinte. Isso depende do horário da internação, da idade do paciente e do tipo de anestesia utilizado.

Mas atenção: o tempo de ato cirúrgico não deve ser confundido com o tempo de permanência no hospital. Afinal, a preparação anestésica e a recuperação pós-operatória aumentam a quantidade de horas no local.

Como é o pós-operatório da otoplastia?

Quem deseja saber tudo sobre a otoplastia precisa se planejar, também, para a recuperação. As medidas adotadas nessa fase são essenciais — inclusive, interferem no resultado do procedimento. Portanto, crianças e adultos devem respeitá-las.

A boa notícia é que se tratam de cuidados relativamente simples. A primeira providência é manter o curativo (uma espécie de touca) pelo período solicitado pelo médico (em média, de um a dois dias). O objetivo é evitar traumatismos. Até lá, aguente a curiosidade e não tente espiar o resultado.

Algum paciente pode relatar dor (geralmente, leve) nos dias que sucedem o procedimento. Se for o caso, ela pode ser controlada por meio de analgésicos comuns. Basta seguir a prescrição médica. Outros possíveis efeitos colaterais são latejar temporário, edema (inchaço), equimoses (manchas roxas), vermelhidão e perda da sensibilidade na área operada.

Em um a dois dias, o curativo envoltório dá lugar à faixa protetora (parecida com as usadas por jogadores de tênis). Ela deverá ser mantida por cerca de um mês (ou mais), durante os dias e as noites. Quanto mais grossa a cartilagem, mais tempo será preciso ficar com banda de compressão.

Caso o paciente não se sinta à vontade para usá-la em público, programe-se para que a cirurgia seja realizada nas férias. O importante é manter a faixa protetora. Isso porque, ela ajuda não apenas a proteger a área operada de eventuais acidentes, como contribui para uma melhor cicatrização.

Nesse sentido, um pós-operatório em casa é sempre mais confortável. Mas evite a exposição ao sol, que pode aumentar o sangramento, os edemas, manchar a área e, ainda, comprometer a cicatrização.

Em relação aos pontos, eles são retirados entre dez dias e duas semanas após a data da cirurgia. Isso é feito no consultório do médico, não sendo mais necessário comparecer ao centro cirúrgico.

O paciente pode retornar às atividades diárias (trabalho e/ou escola) entre cinco a sete dias — até lá, é necessário repousar da forma mais tranquila possível.

Já a retomada de práticas esportivas, assim como de atividades extenuantes, leva mais tempo, entre um e dois meses. Isso é decidido pelos médicos individualmente, conforme cada quadro clínico.

Quais são os resultados esperados?

O resultado da otoplastia é atingido após 12 semanas. No entanto, assim que o médico retira o primeiro curativo, a aparência já apresenta cerca de 80% do formato almejado.

As cicatrizes são bem finas e discretas, sendo difíceis de perceber. Geralmente, elas ficam escondidas atrás das orelhas, localizadas nos sulcos entre elas e o crânio.

Quem tem interesse em saber tudo sobre a otoplastia, muitas vezes, fica imaginando se existe o risco de o formato em abano voltar. Normalmente, não. O aspecto da otoplastia costuma ser permanente. Mas em medicina, não se pode dar garantias de resultados.

Quais são os riscos associados ao procedimento?

Todo ato médico tem um risco variável. Assim, por mais simples que seja o procedimento, eventualidades podem ocorrer. Por isso é tão importante realizar a cirurgia apenas em centros hospitalares, assim como seguir as orientações preparatórias e pós-operatórias adequadamente. Esses cuidados minimizam os riscos.

A principal complicação relacionada à otoplastia é a tendência à cicatrização inestética. Certos pacientes podem acabar ficando com cicatrizes hipertróficas ou apresentar queloides.

A probabilidade de isso ocorrer é averiguada e apresentada pelo médico nas consultas pré-cirúrgicas, com base no tipo de pele e no histórico familiar. Em geral, pessoas com a pele mais clara têm menos chances de desenvolver esse tipo de problema.

No entanto, o risco existe e deve ser levado em conta pelo paciente na hora de refletir sobre os prós e contras do procedimento. O lado bom é que já há diversos recursos clínicos e cirúrgicos (de cremes de uso tópico a tratamentos a laser), que permitem melhorar a aparência de cicatrizes inestéticas.

Passado o período de evolução cicatricial (que vai até o 12º mês), se necessário, o médico poderá indicá-los. Mas para isso, é preciso que o profissional considere em que fase a cicatrização se encontra, de modo a evitar intervenções precoces e desnecessárias.

No mais, outras complicações possíveis para a otoplastia, embora pouco frequentes, são o aparecimento de coágulos de sangue, que necessitam ser drenados, ou a infecção das cartilagens, que precisam ser controladas.

O risco de ficar com orelhas com aparência artificial ou não adequadas também existe, mas pode ser minimizado com a escolha criteriosa do profissional.

Quais são as contraindicações à realização da cirurgia?

principal contraindicação para a realização de uma otoplastia é o risco considerável de o paciente desenvolver queloides. Esse fator pode, inclusive, sem um impedimento para a cirurgia.

Como alternativa, o paciente pode ser submetido à otoplastia (quase) sem incisões. Trata-se de uma técnica nova, mas cuja a taxa de recidiva do abano é bem maior do que quando se realiza a técnica tradicional. Além disso, é possível tomar medicação que ajude a prevenir o crescimento anormal da cicatriz.

Outras possíveis contraindicações são problemas reumatológicos, como a policondrite recidivante (uma doença sistêmica rara). Ela se manifesta como um tipo de inflamação crônica das cartilagens, que acomete os pavilhões auriculares, além do nariz, laringe e articulações.

Que tipo de especialista sabe tudo sobre a otoplastia?

O critério na hora de escolher o médico para fazer a otoplastia é importantíssimo para a segurança do paciente, assim como para a qualidade do procedimento. Primeiramente, verifique se ele tem especialização na área e como se mantém atualizado.

Em seguida, veja quais são as avaliações deixadas pelos antigos pacientes. Hoje em dia, isso pode ser facilmente encontrado, por meio das redes sociais e do Google.

Um otorrinolaringologista especialista em cirurgia plástica facial sabe tudo sobre otoplastia. Ele não apenas domina o conhecimento acerca das melhorias estéticas, como compreende, como nenhum outro, o funcionamento do ouvido e da audição. Mas para ter certeza de sua formação, veja sempre as afiliações.

Ser membro da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face (ABCPF) significa que se trata de um profissional dedicado a aprimorar técnicas e se manter continuamente atualizado.

Espero que este conteúdo tenha atendido às suas expectativas.

Material escrito por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1999, fez sua especialização em Otorrinolaringologia pelo Hospital da Lagoa no Rio de Janeiro/RJ e Mestrado pela Santa de Misericórdia de São Paulo.

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