Quando é necessário remover as amígdalas?

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Por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Antigamente, a indicação da amigdalectomia (também chamada de tonsilectomia) era bastante comum. Para ser submetido ao procedimento, bastava apresentar um quadro crônico de infecções na garganta. No entanto, hoje em dia não é mais assim. Atualmente, os médicos decidem quando é necessário remover as amígdalas com base em critérios bem mais específicos. Mesmo porque, elas funcionam como uma barreira de proteção do organismo, atuando na imunidade, principalmente, nos primeiros anos de vida.

Neste artigo, o otorrinolaringologista Dr. Fábio Zanini, de Florianópolis, SC, explica para quais casos o procedimento é indicado. Para tirar suas dúvidas, continue a leitura!

 

Qual é a função das amígdalas?

 

As amígdalas são duas massas de tecido linfoide localizadas no fundo da garganta, em lados opostos. Sua função, ao detectar a presença de vírus ou bactérias, os quais entram pelo nariz (via respiração) e/ou pela boca (via ingesta de alimentos e bebidas), é emitir um sinal de alerta para o organismo. Com isso, inicia-se a produção dos anticorpos.

Sendo assim, muitos perguntam se, quando é necessário remover as amígdalas, não há prejuízos para o sistema imunológico. De fato, isso pode ser um problema para bebês e crianças pequenas. Por outro lado, segundo a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORL-CCF), não existem evidências que as amígdalas sejam necessárias após os três anos de idade.

 

O que é amigdalite?

 

amigdalite é a infecção das amígdalas, a qual pode ter origem viral (mais comum) ou bacteriana. Ela gera as conhecidas dores de garganta, muitas vezes, acompanhadas de sintomas como dificuldade ao engolir e febre.

Quando crônica, a infecção das amígdalas provoca a hipertrofia da região. Com isso, ocorrem sintomas como:

  • disfagia (dificuldade para deglutir alimentos ou mesmo ingerir bebidas);
  • obstrução nasal contínua;
  • prejuízos à qualidade do sono;
  • alterações de fala;
  • crescimento facial anormal e alterações na arcada dentária;
  • presença de mau hálito (halitose grave); entre outros.

 

Há algumas décadas, a cirurgia para remoção das amígdalas era indicada como uma forma de prevenir a ocorrência de amigdalites. Felizmente, com o avanço da medicina, a principal linha de tratamento passou a ser feita com o uso de antibióticos. Porém, em alguns casos, ainda é necessário recorrer ao tratamento cirúrgico.

 

Quando é necessário remover as amígdalas?

 

A cirurgia para retirada das amígdalas pode ser feita com ou sem a remoção das adenoides (também chamadas de “carne esponjosa”). Ainda que não haja consenso, a ABORL-CCF afirma que o procedimento é indicado, a partir dos quatro anos de idade, para pacientes que não apresentaram melhora com o tratamento clínico. É o caso daqueles com amigdalites de repetição, ou seja, com frequência de:

  • sete ou mais episódios da infecção, em um intervalo igual ou menor a um ano;
  • cinco ou mais episódios anuais, em dois anos consecutivos;
  • três ou mais episódios anuais, em três anos seguidos.

 

Mas os critérios de indicação não se limitam a isso. Também é preciso considerar a gravidade de cada episódio, bem como sua repercussão na rotina do paciente. Além disso, para cada episódio, o candidato ao procedimento deve apresentar, pelo menos, uma das seguintes ocorrências:

  • febre alta (maior ou igual a 38,3ºC);
  • obstrução das vias aéreas superiores;
  • aumento dos linfonodos (glânglios linfáticos) do pescoço;
  • existência de manchas brancas nas amígdalas (exsudato amigdaliano);
  • presença de estreptococo beta-hemolítico do grupo A;
  • presença de bolsas de pus (abcesso periamigdaliano) próximas às amígdalas;
  • suspeita de nódulos ou da presença de tumores na região.

 

Outros fatores que contam a favor da indicação da cirurgia para remoção das amígdalas são histórico de otites, alergias e apneias. Por outro lado, o tamanho das amígdalas não é, em si, um fator que contribui para a indicação cirúrgica, assim como a ocorrência de roncos.

 

Como é a cirurgia para remoção das amígdalas?

 

A cirurgia para remoção das amígdalas deve ser realizada, preferencialmente, após duas semanas sem infecção. Ela é feita sob anestesia geral e dura, em média, 30 minutos.

O paciente recebe alta após ficar algumas horas em observação — na maioria das vezes, no mesmo dia. O pós-operatório costuma ser um pouco incomodo, principalmente, por conta da dificuldade para engolir.

Agora que você sabe quando é necessário remover as amígdalas, procure um especialista para avaliar seu caso individualmente. Caso existam infecções recorrentes associadas a outros problemas, provavelmente, haverá indicação para o procedimento.

Esperamos que o conteúdo tenha sido informativo. Se você deseja ficar por dentro de outros assuntos ligados à saúde da garganta, nariz e ouvidos, siga o Dr. Fábio no Facebook e Instagram!

Material escrito por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1999, fez sua especialização em Otorrinolaringologia pelo Hospital da Lagoa no Rio de Janeiro/RJ e Mestrado pela Santa de Misericórdia de São Paulo.

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