Quando realizar cirurgia endoscópica nasal?

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Por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

O avanço da medicina e as ferramentas tecnológicas têm contribuído para resultados cada vez mais perfeitos nas cirurgias de nariz, tanto do ponto de vista funcional quanto estético. A cirurgia endoscópica nasal, por exemplo, gera menos traumas e, consequentemente, acelera o tempo de recuperação.

Neste artigo, vamos mostrar em quais casos esse procedimento é indicado. Se você tem algum tipo de distúrbio nasal, vale a pena conhecê-lo!

Como é a cirurgia endoscópica nasal?

A cirurgia endoscópica nasal é um tipo de vídeo-cirurgia. Ela serve para tratar patologias obstrutivas, doenças com bases inflamatórias ou infecciosas, tumores, entre outras patologias.

O grande diferencial dessa técnica está no uso de endoscópios flexíveis e com lentes anguladas, os quais permitem visualizar melhor o local da cirurgia. Diferente do microscópio, o endoscópio não se limita à linha reta, mostrando diferentes ângulos do complexo nasossinusal.

Assim, o médico consegue operar sem mexer nos tecidos saudáveis. Mas, para planejar bem a cirurgia, o otorrinolaringologista solicita uma tomografia computadorizada. O exame ajuda a avaliar tanto as estruturas ósseas quanto as partes moles e espaços aéreos de cada paciente.

Já para realizar o procedimento, é feita a anestesia (local ou geral). Só então o médico introduz os instrumentos cirúrgicos, paralelamente ao endoscópio.

Cuidados pré-operatórios

Os cuidados pré-operatórios gerais são os mesmos de qualquer cirurgia. Segundo a Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face (ABCPF), é preciso:

  • fazer jejum de 8 horas, inclusive de água;
  • não tomar aspirina, AAS ou medicamentos com ácido salicílico nos 10 dias anteriores à cirurgia;
  • não consumir bebidas alcoólicas nos 4 dias anteriores ao procedimento.

Antes da cirurgia, o médico também avalia se o paciente tem alguma infecção ativa. Caso tenha, é preciso controlá-la.

Além disso, existem os cuidados relacionados a situações específicas. Por exemplo, um paciente com pólipos (tumores) nasais grandes pode receber um curto curso de esteroides, para diminuir o risco de hemorragia durante a cirurgia.

Cuidados pós-operatórios

Os cuidados pós-procedimento interferem, diretamente, no sucesso da cirurgia endoscópica nasal. O lado bom é que eles são bem simples.

Primeiramente, é importante aspirar as secreções e remover os coágulos tecidos desvitalizados, caso existam. Em relação à medicação, os médicos recomendam o uso de antibióticos por 2 a 3 semanas após a cirurgia. Corticoides também podem ser prescritos.

Quando esse tipo de procedimento é indicado?

A cirurgia endoscópica nasal é o principal tratamento para a rinossinusite crônica. Considerada uma técnica minimamente invasiva, ela é capaz de reestabelecer as funções normais dos seios paranasais.

Mas o procedimento é indicado em muitos outros casos, destacando-se por preservar, ao máximo, a mucosa nasossinusal. Afinal, a visibilidade proporcionada pelo endoscópio permite reestabelecer as funções fisiológicas sem maiores traumas.

Assim, ainda que as indicações cirúrgicas variem conforme a agressividade do problema, as vias de acesso e o prognóstico de cada paciente, as mais comuns são:

  • desordens obstrutivas;
  • desvio de septo;
  • doenças inflamatórias;
  • sinusite bacteriana aguda recorrente ou crônica;
  • sinusite fúngica;
  • polipose nasossinusal;
  • hipertrofia de cornetos;
  • neoplasias (tumores benignos ou malignos);
  • biópsias de massas nasais ou tumores;
  • ressecações de lesões benignas ou de baixa malignidade;
  • controle de epistaxe (sangramentos intensos pelo nariz);
  • remoção de corpos estranhos (tanto da cavidade nasal como dos seios da face).

Quais são os prós e contras em relação à técnica?

Em relação aos prós, a cirurgia endoscópica nasal gera menos traumas cirúrgicos, pois permite trabalhar com incisões menores. Consequentemente, há menos reações inflamatórias e melhor cicatrização, bem como uma considerável redução da dor e do tempo de recuperação. Os resultados (funcionais e estéticos) também são melhores, pois as angulações oferecidas pelo endoscópio permitem uma maior precisão cirúrgica.

No que diz respeito aos contras, as maiores complicações referentes à cirurgia endoscópica nasal são:

  • risco de fístula liquórica (que leva, entre outros sintomas, à rinorreia, ou seja, escorrimento de líquido pelo nariz, com elevado potencial de complicação);
  • prejuízos ao ducto nasolacrimal;
  • lesão do nervo óptico;
  • e hemorragias importantes.

Já entre as complicações mais simples, há o risco de sinéquia (problema que leva à obstrução nasal), de lesão à lâmina papirácea e de ter pequenos e médios sangramentos.

De qualquer forma, quando bem indicada e adequadamente executada, as chances de sucesso nesse tipo de procedimento são imensas. Para isso, deve-se buscar a orientação de um otorrinolaringologista com vasta experiência na realização de cirurgias endoscópicas nasais. Cabe a ele orientar como será todo o processo, incluindo o pré e pós-operatório, de acordo com as condições de cada paciente.

Se você deseja saber mais sobre esse tipo de vídeo-cirurgia, entre em contato conosco! Teremos prazer em ajudar!

Material escrito por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1999, fez sua especialização em Otorrinolaringologia pelo Hospital da Lagoa no Rio de Janeiro/RJ e Mestrado pela Santa de Misericórdia de São Paulo.

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