Septoplastia: tudo o que você precisa saber sobre a cirurgia plástica para desvio de septo

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Por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

O desvio de septo é muito comum. A maioria das pessoas o tem em algum grau e vive normalmente. No entanto, quando a deformidade gera obstruções crônicas, a falta da respiração predominantemente nasal afeta todos os sistemas do organismo. Prejuízos à qualidade do sono e alterações de fala e linguagem são as consequências imediatas, mas o impacto vai muito além — comprometendo consideravelmente a qualidade de vida. Nesses casos, para corrigir o problema e restabelecer o bom funcionamento do nariz, recorre-se à septoplastia.

Neste artigo, mostramos todos os âmbitos da cirurgia plástica para o desvio de septo. Aproveite a leitura e esclareça suas dúvidas!

O que é o desvio de septo nasal?

O septo nasal é a estrutura vertical que separa o nariz em duas cavidades, chamadas fossas nasais. Ele é composto por osso na parte anterior e por cartilagem na parte posterior, sendo coberto pela mucosa nasal.

Para avaliar se existe algum desvio, o otorrinolaringologista faz um exame clínico, inspecionando o interior do nariz com um endoscópio. Isso é feito duas vezes, antes e depois da aplicação de um spray descongestionante.

Ele também pode separar as narinas delicadamente, com um instrumento que permite observar seu interior (a válvula nasal). E se julgar necessário, a avaliação clínica pode ser complementada por uma tomografia computadorizada.

Causas do desvio de septo

O desvio de septo pode ser decorrente de microtraumas na região do nariz, ocorridos durante o desenvolvimento septal. Há casos em que ocorrem na gestação ou no nascimento (quando há uso inadequado do fórceps). Muitas vezes, essas lesões passam despercebidas. Mas com o crescimento, tornam-se sintomáticas.

O desvio de septo também pode ser ocasionado por traumas na face e fraturas nasais. Isso pode ocorrer durante práticas esportivas, em acidentes de automóveis, entre outras eventualidades.

Incidência da deformidade

Segundo a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), estima-se que o desvio de septo ocorra em 85% da população. No entanto, os graus de severidade variam — o que faz com que nem todos apresentem sintomas.

Existem quatro tipos de desvios septais:

  • desvio simples;
  • crista;
  • esporão e
  • misto.

O desvio misto é o tipo de alteração septal mais comum, sendo considerado grave quando o desvio ósseo e/ou cartilaginoso toca a parede nasal e mantém o contato mesmo com o uso de vasoconstritor.

Quais são os sintomas do desvio de septo?

Quando sintomático, o desvio septal pode provocar uma série de desconfortos. A deformidade pode ser a causa de distúrbios como:

  • obstrução nasal crônica, responsável pela sensação contínua de nariz entupido;
  • sinusites, provocadas por infecções dos seios paranasais;
  • inchaço nas laterais do nariz, devido ao aumento das conchas nasais inferiores;
  • cefaleias, roncos e apneia do sono.

Quando é indicado operar o desvio de septo?

Apenas pacientes com graus de desvios septais elevados, com sintomas que comprometem as funções nasais, precisam fazer o tratamento cirúrgico. O objetivo é aliviar os sintomas e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida.

De acordo com a ABORL-CCF, a septoplastia deve ser realizada somente após os 16 anos. Isso porque, a partir dessa idade a fase de desenvolvimento septal já se encontra encerrada.

A exceção são pacientes mais jovens com graus de desvio severos. Nesses casos, pode-se indicar a septoplastia conservadora ainda na infância.

Outras indicações para a septoplastia são a presença de neoplasias (tumores) septais. Além disso, existe a chamada cefaleia rinogênica, descrita como uma sensação de pressão ou dor intensa sobre o dorso nasal.

Como funciona a rinoplastia funcional?

Quando a correção do septo é necessária, a rinoplastia pode ser feita simultaneamente. Nesse caso, trata-se de uma rinoplastia funcional, um tipo de cirurgia plástica nasal que visa corrigir tanto as disfunções funcionais, melhorando a respiração, quanto a aparência do nariz — quando existe o desejo por parte do paciente.

A septoplastia é uma das técnicas mais realizadas na rinoplastia funcional. Seu objetivo é centralizar o septo nasal. O procedimento é realizado sob anestesia geral ou local com sedação. Em média, demora de 60 a 90 minutos e o paciente fica internado por algumas horas, recebendo alta no mesmo dia ou no seguinte.

Para fazer a septoplastia, o médico faz uma pequena incisão dentro do nariz. Em seguida, descola a mucosa que fica sobre o osso e a cartilagem do septo. Por fim, remove as áreas desviadas e recoloca a mucosa sobre o septo devidamente centralizado. Tudo isso, com a mínima remoção de osso e cartilagem possível.

Quais são as técnicas usadas na septoplastia?

Existem diversos tipos de técnicas usadas na septoplastia, escolhidas conforme a necessidade do paciente. São elas:

  • técnica de Killian, a qual corrige apenas desvios na parte posterior do nariz, por meio da ressecção da cartilagem;
  • técnica de Cottle-Guillen, a qual permite a abordagem total do septo;
  • técnica de Metzembaum, a qual possibilita a correção de desvios anteriores, por meio da ressecção óssea;
  • técnica endoscópica, a qual melhora a exposição da estrutura septal e facilita os cuidados pós-operatórios.

Quais são os diferenciais da septoplastia endoscópica?

A septoplastia endoscópica é descrita como um refinamento técnico. A vídeo-cirurgia permite ao cirurgião operar sem elevar, demasiadamente, a mucosa nasal, pois a incisão é feita no ponto imediatamente anterior ao desvio septal.

A técnica endoscópica é indicada, principalmente, para casos de cirurgias revisionais, quando existem aderências e fibroses que dificultam o acesso. No entanto, também pode ser feita em procedimentos primários. Entre suas vantagens, destacam-se:

  • baixo risco de complicações;
  • curto tempo cirúrgico;
  • pequena perda sanguínea;
  • menos reações inflamatórias;
  • melhor cicatrização;
  • menor tempo de recuperação.

Vale destacar, ainda, que o uso de endoscópios flexíveis e com lentes anguladas possibilita ao médico visualizar melhor a área acometida. Afinal, o endoscópio mostra o complexo nasossinusal sob diferentes ângulos, não apenas em linha reta.

Assim, o resultado — funcional e esteticamente — tende a ser melhor do que na abordagem convencional. Mas para tanto, a septoplastia deve ser bem indicada e corretamente executada.

Quais são os riscos da cirurgia de desvio de septo?

A cirurgia de desvio de septo, como todo procedimento cirúrgico, tem seus riscos. Entre as complicações mais comuns, pode-se citar:

  • febre e dor, sintomas relativamente frequentes no período pós-operatório imediato, mas que são fáceis de aliviar;
  • sangramento discreto, que cessa com repouso e compressas geladas, ou mais intenso, que pode exigir outras medidas;
  • hematoma septal, infecção e abscesso, problemas que dificilmente ocorrem e que são controlados com curativos, drenagens e antibióticos;
  • perfuração do septo, outra complicação rara e que, geralmente, não causa nenhum sintoma, mas que exige tratamento (clínico ou cirúrgico);
  • sinéquia, um tipo de aderência entre as paredes do nariz, que podem ser desfeita com curativos ou, em casos mais graves, por meio de outra cirurgia;
  • retorno da hipertrofia das conchas nasais, em casos de rinite alérgica;
  • complicações relacionadas à anestesia geral, ainda que o risco anestésico esteja cada vez menor.

Vale destacar, ainda, que nas septoplastias que usam técnicas conservadoras ou naquelas realizadas em crianças, existe o risco de ocorrer o chamado retorno do desvio de septo (ou desvio residual). Nesse caso, a cartilagem pode voltar a ficar deformada, exigindo uma nova intervenção.

Como é a cobertura da septoplastia pelos planos de saúde?

Na maioria dos planos de saúde, as cirurgias funcionais têm cobertura. Assim, se a septoplastia for estritamente funcional, dependendo das técnicas cirúrgicas, poderá ser feita pelo plano.

No entanto, se a cirurgia para o desvio de septo for associada a alguma correção estética, não existe cobertura. É o que ocorre no caso de uma septoplastia associada à redução do dorso nasal. Assim, as coberturas dependem dos planos contratados e das estratégias cirúrgicas.

Como é a recuperação da cirurgia plástica para desvio de septo?

Respeitando as orientações médicas, o pós-operatório tem tudo para ser tranquilo. Entre os inconvenientes dos primeiros dias, é comum ficar com o nariz obstruído, por conta das crostas de sangue que se formam no local da incisão, e com edemas (inchaços).

Isso faz com que possa haver uma pequena dificuldade respiratória no pós-operatório imediato. No decorrer dos dias, o desconforto tende a se normalizar.

Durante os dias seguintes à cirurgia, o paciente pode ter que usar um splint nasal. Trata-se de um molde que ajuda a fixar a mucosa nasal ao septo. Ele é retirado depois de uma semana a 10 dias, no consultório médico.

Com exceção da cirurgia endoscópica, além do molde também pode ser necessário usar tampões nasais, para conter pequenos sangramentos. Isso é comum nos primeiros dias do pós-operatório.

Além disso, o médico pode orientar o paciente a fazer compressas geladas na face e lavagens nasais. Isso não apenas ajuda na cicatrização, como também pode prevenir a ocorrência de sinéquias.

Nos primeiros dias, mantenha uma dieta leve e evite alimentos muito quentes (sopas, chás etc). Os banhos também devem ser mornos para frios, para não estimular o sangramento.

O tempo de recuperação da cirurgia varia de pessoa para pessoa. Em média, após duas semanas já é possível retomar as atividades normais, com exceção das práticas esportivas. Por isso, nada de fazer exercícios físicos por, pelo menos, um mês. E nem pense em tomar sol na área enquanto houver hematomas da cirurgia.

Para concluir, se você precisa fazer uma septoplastia, procure um especialista. Quando se está sob os cuidados de um profissional capacitado e com vasta experiência, o nível de ansiedade em relação ao procedimento diminui consideravelmente. Afinal, sabe-se que a função respiratória será restabelecida, ao mesmo tempo em que a estética nasal será melhorada. Tomando os cuidados necessários, o impacto da cirurgia plástica para desvio de septo na qualidade de vida é significativo e recompensador!

Ficou com alguma dúvida? Entre em contato com o Dr. Zanini para esclarecê-la!

 

Material escrito por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1999, fez sua especialização em Otorrinolaringologia pelo Hospital da Lagoa no Rio de Janeiro/RJ e Mestrado pela Santa de Misericórdia de São Paulo.

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