Todo desvio de septo precisa de cirurgia?

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Por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Nem todo desvio de septo precisa, necessariamente, de cirurgia. Na verdade, pode-se dizer que a correção cirúrgica é a exceção: ela é indicada, somente, quando há sintomas respiratórios que comprometem a qualidade de vida do paciente. Mesmo porque, essa condição está presente na maioria das pessoas (85%), em diferentes graus de severidade — e boa parte delas passa a vida toda fugindo da resolução desse problema.

Nesse conteúdo, vou falar quando o desvio septal tem indicação cirúrgica. Vou explicar, também, quando é possível associar o procedimento às correções estéticas. Aproveite a leitura!

O que é e quais são os tipos de desvios de septo?

O septo é a parede vertical que separa as fossas nasais. Ela é formada por osso (na parte superior) e cartilagem (na parte próxima à ponta nasal), sendo coberta por uma camada de mucosa (um tecido ricamente vascularizado).

O desvio de septo é a alteração dessa parede, que deixa sua estrutura deformada. Existem quatro tipos:

  • desvio simples, com o deslocamento da estrutura osteocartilaginosa para um dos lados, deixando-a descentralizada, mas sem complicações;
  • crista, quando há luxação da articulação condrovomeriana;
  • esporão, quando ocorre uma projeção osteocartilaginosa pontiaguda;
  • misto, com o deslocamento da estrutura osteocartilaginosa para ambos os lados, apresentando desvio, crista e/ou esporão conjuntamente.

O desvio de septo misto é o tipo mais comum. Ele é considerado grave (com indicação cirúrgica) quando toca a parede nasal e mantém o contato mesmo após o uso de um vaso constritor.

Quais são as possíveis causas dessa condição?

O desvio de septo pode ter diferentes causas, as quais, muitas vezes, passam despercebidas. Por exemplo, como consequência de microtraumas nasais, que podem ocorrer ainda na fase intrauterina, reincidindo ao longo do desenvolvimento.

Outra causa importante são as fraturas nasais e traumatismos faciais, por conta de acidentes. Nesse caso, a origem do desvio é evidente.

Para diagnosticar o tipo e grau de desvio, o otorrinolaringologista considera o histórico de traumas, analisa os sintomas e examina o interior do nariz (com um endoscópio ou com um instrumento que afasta as narinas). Se necessário, solicita, também, uma tomografia computadorizada.

Quando o desvio de septo precisa de cirurgia?

Em casos leves a moderados, com sintomas esporádicos, o tratamento pode ser pontual. Lavagens nasais com soro fisiológico, além de medicamentos como corticoides e anti-histamínicos, são suficientes.

Já a septoplastia (falo bastante dela no meu Facebook e Instagram, me siga lá!) é uma cirurgia plástica usada para corrigir o desvio de septo, reposicionando-o, o mais simetricamente possível, no centro das fossas nasais. É indicada quando a deformidade gera:

  • obstrução nasal importante, com a sensação ininterrupta de nariz entupido;
  • infecções nos seios paranasais, as quais levam a episódios frequentes de sinusite;
  • anormalidades no fluxo nasal, o que pode desencadear a cefaleia rinogênica (um tipo de dor de cabeça descrita como sensação de pressão ou dor intensa sobre o dorso nasal, que ocorre devido a problemas nasossinusais);
  • alteração no padrão de fluxo de ar, com ressecamento das mucosas, levando ao sangramento nasal frequente;
  • respiração nasal predominantemente obstruída, o que provoca o ronco e a apneia do sono, levando a noites mal dormidas e prejudicando a disposição no dia a dia, além de provocar alterações na fala e desalinhamento da arcada dentária.

O procedimento é realizado, preferencialmente, em maiores de 16 anos. Isso porque, a partir dessa idade o crescimento do septo já cessou. Porém, em pacientes mais jovens, que apresentem deformidades severas, gerando sintomas graves, pode-se indicar a correção cirúrgica.

O principal objetivo da septoplastia é promover o alívio dos sintomas ligados ao desvio septal. Em última instância, a cirurgia impacta, positivamente, sobre a qualidade de vida dos pacientes.

É possível associar o procedimento à correção estética?

Sim, a septoplastia, muitas vezes, é associada à rinoplastia. Assim, na mesma cirurgia em que se resolve o defeito anatômico, reestabelecendo a função respiratória, são feitos os ajustes estéticos necessários.

Mas para se certificar de que todos os objetivos serão alcançados satisfatoriamente, tenha muita atenção ao escolher o especialista para realizar sua cirurgia. Procure por um profissional capacitado, que se mantenha constantemente atualizado e tenha anos de experiência na área. De preferência, membro da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face (ABCPF).

Assim, nem todo o desvio de septo precisa de cirurgia. Porém, em pacientes com graus elevados de tortuosidades, que gerem comprometimento das funções nasais e, consequentemente, sintomas prejudiciais à qualidade de vida, a septoplastia se faz necessária. Já o fato de poder associá-la a correções estéticas é uma possibilidade a parte. Se o paciente tiver esse desejo, trata-se da oportunidade ideal para realizá-lo

Material escrito por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1999, fez sua especialização em Otorrinolaringologia pelo Hospital da Lagoa no Rio de Janeiro/RJ e Mestrado pela Santa de Misericórdia de São Paulo.

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