Tudo o que você precisa saber sobre rinoplastia

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Por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

O Brasil é o segundo país onde mais se realizam cirurgias plásticas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. E segundo o levantamento mais recente da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), a rinoplastia está entre os procedimentos cirúrgicos mais realizados por aqui. A maior parte dos brasileiros que se submete à intervenção (64,5%) é composta por jovens de 19 a 34 anos de idade.

Se você integra esse contingente que sonha em aprimorar algum aspecto na forma ou na função nasal, escrevi esse conteúdo para você. Continue a leitura e confira absolutamente tudo sobre a tão procurada cirurgia no nariz!

O que é a rinoplastia?

Rinoplastia é a cirurgia plástica do nariz. Ela é indicada tanto para a correção de imperfeições estéticas como para o tratamento de desvios funcionais, ajudando os pacientes a respirar melhor.

De maneira geral, o procedimento leva cerca de 03 horas e pode ser feito com anestesia geral ou anestesia local e sedação. A permanência no hospital é curta. Se tudo correr conforme o esperado, o paciente recebe alta entre 12 e 24 horas — mas, muitas vezes, é possível ir para casa no mesmo dia.

Para decidir o tipo de rinoplastia indicada para cada paciente, o médico responsável faz um exame clínico no próprio consultório. Geralmente, ele inspeciona o interior das fossas nasais com a ajuda de um endoscópio, antes e depois do uso de um spray descongestionante. Isso permite ao profissional avaliar as condições do septo nasal (partição mediana) e da mucosa posicionada ao lado do canal por onde passa o ar (cornetos).

Quais são os tipos de rinoplastias?

Existem diversos tipos e subtipos de cirurgias no nariz. São técnicas que, sozinhas ou combinadas entre si, são escolhidas para atender às necessidades de cada paciente.

Rinoplastia estética

rinoplastia estética é o tipo de cirurgia no nariz mais procurado. Conforme o objetivo cirúrgico, ela se divide em diversos subtipos. São eles:

  • rinoplastia redutora, realizada quando há necessidade de reduzir algum aspecto do nariz (geralmente, o excesso de tecidos ósseos e cartilaginosos que formam a giba);
  • rinoplastia de aumento, realizada quando é preciso aumentar algum aspecto do nariz para melhorar a proporção facial (geralmente, quando a estrutura nasal apresenta algum afundamento ou em perfis masculinos muito retilíneos);
  • rinoplastia da columela, realizada quando é necessário alterar a fenda que divide as narinas (geralmente, em pacientes com a columela retraída);
  • rinoplastia para levantar a ponta nasal, realizada quando a extremidade do nariz é projetada para baixo (geralmente, em narizes do tipo adunco, os quais têm as pontas direcionadas para baixo, e caucasianos, os quais têm os dorsos pouco protuberantes).

Rinoplastia funcional

rinoplastia funcional é o tipo de cirurgia no nariz mais realizado. Ela permite corrigir não apenas a parte estética (como fazer alguma redução no nariz), mas também as alterações funcionais nas estruturas nasais, ligadas à capacidade respiratória. Pela grande quantidade de procedimentos realizados, entre os subtipos de rinoplastias funcionais, destacam-se:

  • rinosseptoplastia, realizada quando, além das melhorias estéticas, é preciso corrigir o desvio de septo;
  • rinoplastia associada à correção da hipertrofia dos cornetos (também chamados de conchas nasais ou carne esponjosa), realizada quando é necessário facilitar a passagem do ar e tratar a obstrução nasal contínua.

Rinoplastia étnica

rinoplastia étnica é realizada com o objetivo de alterar traços étnicos considerados, pelo paciente, como demasiadamente marcantes — buscando um visual mais harmônico, mas sem descaracterizar suas raízes. Por exemplo: asas nasais alargadas, ausência de dorsos, pontas muito projetadas para baixo, dentre outros casos.

Rinoplastia pós-traumática ou reconstrutiva

rinoplastia pós-traumática ou reconstrutiva é feita em pacientes que sofreram alguma lesão que afetou a forma ou a função nasal. Ela também pode ser indicada para tratar deformidades estéticas e funcionais decorrentes de malformações congênitas, como a fenda labial.

Nessa técnica, muitas vezes, costuma ser necessário usar enxertos de pele ou cartilagem. Geralmente, eles são extraídos do corpo do próprio paciente, para evitar rejeição. Quando isso não é possível, pode-se usar um enxerto sintético.

Rinoplastia secundária ou revisional

rinoplastia secundária ou revisional é uma técnica realizada em pacientes que já foram submetidos a rinoplastias anteriores (com, pelo menos, 01 ano de diferença). São casos em que a capacidade respiratória ficou abaixo do esperado ou o resultado estético deixou a desejar, seja por imperícia médica, descuidos no pós-operatório ou eventuais acidentes.

Quando se trata de uma segunda intervenção, o procedimento é bem mais complexo. Isso porque, uma vez operada, a estrutura nasal pode ficar com cartilagem insuficiente, tecidos fibrosos e cicatrizes espessas. Esses fatores dificultam a cirurgia e, muitas vezes, exigem o uso de enxertos de cartilagem autógenos — os quais costumam ser extraídos das costelas ou das orelhas do próprio paciente.

Para quem a rinoplastia é indicada?

Segundo a Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face (ABCPF), caso exista um motivo que justifique sua precocidade, a rinoplastia pode ser realizada a partir dos 15 anos de idade. No entanto, estudos sugerem que a idade mínima ideal para fazer o procedimento é aos 17 anos. Isso porque, nessa faixa etária, as estruturas ósseas da face estão quase completamente formadas, sofrendo pouquíssimas alterações no futuro. São candidatos ao procedimento pessoas que:

  • têm o desejo de melhorar algum aspecto na aparência do nariz;
  • sofreram algum trauma (ou infecção) que alterou, definitivamente, o formato de seus narizes;
  • tiveram algum defeito congênito (como a fissura labial) corrigido quando eram mais novas e desejam refinar os resultados;
  • sentiram que os narizes mudaram de forma com o envelhecimento, ficando com a ponta mais caída, por exemplo;
  • sofrem com a sensação contínua de nariz entupido, e o tratamento com sprays nasais não melhora a obstrução de maneira duradoura.

Como é a preparação para a rinoplastia?

Além da anamnese e dos exames clínicos e laboratoriais, o pré-operatório da rinoplastia exige a realização de jejum absoluto de 08 horas para alimentos e bebidas, inclusive água. Assim, no período que antecede a operação, o paciente não pode nem mascar chicletes. Respeitar o jejum é necessário para evitar complicações durante a anestesia.

Nos 10 dias que antecedem o procedimento, é proibido tomar remédios anti-inflamatórios, aspirinas e AAS (ou qualquer substância que contenha ácido salicílico, como Engov®). A mesma recomendação vale para as medicações naturais. Como esses medicamentos são antiagregantes plaquetários, eles aumentam o sangramento durante a cirurgia.

Nos 04 dias anteriores ao procedimento, não se deve ingerir bebidas alcoólicas. O álcool desidrata a pele e piora o processo de cicatrização. Além disso, misturar álcool e medicamentos é contraindicado. Em relação ao cigarro, é necessário suspender seu consumo o quanto antes.

No dia da cirurgia, deve-se comparecer ao hospital sem brincos, anéis, piercings ou quaisquer acessórios metálicos que possam ser removidos. Isso porque, como o bisturi elétrico usado durante o procedimento joga eletricidade no corpo do paciente e esses objetos podem gerar queimaduras. Óculos, lentes de contato e aparelhos ortodônticos móveis também devem ser tirados.

É preciso levar todos os exames e avaliações de outros especialistas, como do cardiologista. Não esqueça de comparecer com a antecedência solicitada, para fazer sua internação com calma e dar início aos preparos pré-operatórios.

Dica importante: compre os medicamentos que serão usados no pós-operatório antes da cirurgia. Dessa maneira, você facilita sua rotina em um período que o repouso é essencial.

Como é feita a cirurgia no nariz?

A rinoplastia pode ser feita de duas maneiras: por via aberta ou fechada. A escolha pela forma como se dará o acesso à área tratada (qual será o tipo de incisão) varia de acordo com o(s) tipo(s) de técnica(s) empregadas e as características individuais de cada paciente. Só então o especialista poderá reduzir, aumentar, alinhar ou reconstruir a sua estrutura nasal.

Rinoplastia aberta

Na rinoplastia aberta, a incisão para levantar os tecidos que recobrem o nariz é feita através da columela (região entre as duas narinas). Esse tipo de acesso é indicado para casos mais complexos, nos quais o cirurgião necessita ter uma maior visibilidade da área operada.

A via de acesso aberta é bastante usada em rinoplastias secundárias. Além disso, é comum em rinoplastias reconstrutivas, como no caso de pacientes fissurados. Seu principal inconveniente é a cicatriz deixada após o procedimento — ainda que a marca seja cada vez mais discretas, quase imperceptível.

Rinoplastia fechada

Na rinoplastia fechada, as incisões para remodelar o nariz são internas. Elas podem ser feitas, por exemplo, por meio das cartilagens laterais inferiores. Dessa maneira, as cicatrizes ficam escondidas dentro da cavidade nasal.

A via de acesso fechada é indicada para correções estéticas e/ou funcionais primárias e mais simples. Por exemplo: no caso de uma rinoplastia redutora para corrigir a giba nasal (ossinho saltado no dorso) ou para tratar a ponta bulbosa. Seu maior atrativo é a inexistência de cicatrizes aparentes na área operada.

Atualmente, o uso de ferramentas tecnológicas tem contribuído para resultados cada vez mais perfeitos e menos invasivos, acelerando a recuperação. É o caso da cirurgia endoscópica nasal, um tipo de vídeo-cirurgia indicado para tratar doenças obstrutivas, inflamatórias ou infeccionais, além de tumores. A rinossinusite crônica, por exemplo, é uma das patologias que podem ser tratadas.

Como é o pós-cirúrgico da rinoplastia?

Após a rinoplastia, o paciente fica com uma tala (curativo feito de placa engessada ou de material plástico) no nariz. Deve-se mantê-la por 07 dias, para dar tempo das estruturas nasais se fixarem.

pós-operatório da rinoplastia é, relativamente, tranquilo. Ainda assim, é importante contar com a assistência de outra pessoa, pelo menos, até o dia seguinte ao procedimento. O período de recuperação varia de 10 a 15 dias, de acordo com o histórico de cada paciente.

Nos primeiros dias, é comum ter um pequeno sangramento nas narinas. Geralmente, o incômodo é autocontido e desaparece em alguns dias. Para promover o alívio, caso seja necessário, pode-se aplicar algum spray nasal.

Na primeira semana, é difícil respirar pelo nariz. Podem existir hematomas ao redor dos olhos e um inchaço moderado no nariz, cujo grau varia de paciente para paciente. O uso de compressas geladas ajuda a melhorar o aspecto, que diminuirá consideravelmente em 02 semanas. Outras complicações menos frequentes são:

  • dormência, quase sempre temporária, desaparecendo entre 06 e 12 semanas;
  • descoloração, deixando a pele do nariz mais vermelha ou mais escura;
  • extrusão de implantes sintéticos pela pele, causando deformidades;
  • infecção, manifestada por vermelhidão, inchaço e febre.

Vale destacar que o risco de infecção é muito baixo. No entanto, caso se note a presença desses sintomas, deve-se notificar o cirurgião responsável imediatamente.

Quais são os resultados esperados?

A rinoplastia é considerada um procedimento tecnicamente complexo. Por isso, o conhecimento e a experiência do médico responsável são cruciais. Independentemente da técnica adotada, o objetivo deve ser um só: buscar o melhor resultado possível, com o menor risco de complicações.

Em relação à aparência, é preciso estar ciente de que leva tempo até o nariz chegar à forma definitiva. Em geral, a cicatrização completa se dá entre 06 meses e 01 ano.

Já resultado final leva entre 01 e 02 anos e, diferentemente da rinomodelação, é definitivo. As únicas alterações previstas são devidas à fisiologia da cicatrização e ao próprio envelhecimento. No entanto, caso seja realizada a técnica estruturada, há mais chances de o resultado perdurar intacto por mais tempo.

Outro ponto relacionado ao resultado é a existência, ou não, de cicatrizes. Em alguns casos (cerca de 20% dos pacientes), a cirurgia pode deixar uma pequena cicatriz. Já nas rinoplastias com acesso fechado, não há marcas remanescentes na pele.

Para concluir, é preciso falar sobre os profissionais que podem realizar rinoplastias. Nem todo mundo sabe, mas além dos cirurgiões plásticos especialistas em cirurgias da face, os otorrinolaringologistas com formação em cirurgia plástica facial, focada em Rinologia, também podem executar procedimentos no nariz.

A vantagem dessa categoria de médicos é que eles detêm não apenas o conhecimento necessário para promover o refinamento das formas nasais e a harmonização facial. Eles também compreendem tudo sobre a funcionalidade (fisiologia e anatomia) das cavidades nasais e estruturas interligadas (ouvidos e garganta). Ou seja, oferecem um diagnóstico e tratamento completo ao paciente, combinando as abordagens estéticas e reparadoras sempre que indicado.

Para encontrar um especialista desse gabarito perto de você, procure em sites de associações e sociedades médicas. Na página da ABCPF existe um prático “Guia de cirurgiões”, com profissionais aptos a melhorar tanto as funções respiratórias como a estética facial.

Como última orientação, se você deseja mesmo fazer uma rinoplastia, não tenha pressa e planeje seu procedimento com toda calma e cuidado necessário. Além do risco de insatisfação estética, submeter-se a um cirurgião sem expertise nas funções nasais pode levar a lesões internas e diversas complicações. Já quando a estratégia cirúrgica é bem indicada e corretamente executada, o índice de satisfação pós-operatório é altíssimo, impactando na autoestima, bem-estar e qualidade de vida!

Por mais completo que esse conteúdo seja, eu sei que o assunto rinoplastia rende bastante. Por isso, caso ainda haja alguma dúvida, sinta-se à vontade para entrar em contato comigo. Além disso, aproveite me seguir no Instagram e Facebook e fique por dentro de todas as dicas que compartilho por lá!

Material escrito por: Dr. Fábio Zanini - CRM/SC 8373 | RQE 3904

Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1999, fez sua especialização em Otorrinolaringologia pelo Hospital da Lagoa no Rio de Janeiro/RJ e Mestrado pela Santa de Misericórdia de São Paulo.

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